Com apoio do BID e em parceria com a Prefeitura do Recife, o estudo vai ouvir moradores de 1.000 domicílios em comunidades ao longo de novembro de 2026.
Começa nessa primeira semana de novembro a coleta de dados da Pesquisa de Percepção de Segurança e Vitimização nas Comunidades de Interesse Social (CIS) do Recife. Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e em parceria com a Prefeitura do Recife, o estudo vai produzir um diagnóstico detalhado sobre como vivem, o que temem e quais violências enfrentam os moradores das áreas mais vulneráveis da cidade. Isso inclui os crimes que nunca chegam a ser registrados pelas autoridades.
Ao longo de todo o mês de novembro, entrevistadores devidamente identificados vão visitar 1.000 domicílios em 82 CIS, distribuídas pelas seis Regiões Político-Administrativas (RPAs) do Recife. As entrevistas são presenciais, duram cerca de 30 minutos e são feitas com moradores de 16 anos ou mais. A participação é voluntária e as respostas são confidenciais. Todas as etapas seguem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e começam pelo consentimento da pessoa entrevistada.
Rigor metodológico e padrões internacionais
A pesquisa segue os padrões consolidados das pesquisas de vitimização, usadas no Brasil e no mundo para medir a criminalidade real, para além dos registros oficiais. A coordenação técnica é do Instituto Cidade Segura (ICS), e a coleta de campo será realizada pelo Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO). A amostra é probabilística, sorteada a partir de 95 setores censitários do IBGE, com cotas de sexo e faixa etária. Corresponde a composição de 800 entrevistas representativas do conjunto das CIS e uma ampliação de 200 entrevistas para aprofundar a análise territorial. Os resultados serão ponderados estatisticamente e terão margem de erro de cerca de 3 pontos percentuais, com 95% de confiança.
ICS e IPO: parceria com experiência em pesquisas de vitimização
O trabalho no Recife une duas instituições que já atuam juntas em pesquisas de vitimização no Brasil. O Instituto Cidade Segura e o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) atuam de forma parceira no Projeto, reunindo experiência em levantamentos domiciliares com amostras aleatórias em cidades como Porto Alegre (2017 e 2023), Pelotas (2017 e 2024), Niterói (2018 e 2025), Santa Cruz do Sul (2021) e Rio Grande (2023). Nessas pesquisas foram aferidos a vitimização por crimes contra a pessoa e o patrimônio, a violência contra as mulheres, a subnotificação dos registros policiais, o preconceito, a sensação de segurança e a legitimidade das instituições de segurança. Essa trajetória, com resultados que já orientam decisões de gestão em outras cidades, é a base do desenho também adotado no Recife.
O que a pesquisa vai identificar
O questionário foi construído de forma colaborativa, com contribuições do BID, da Prefeitura do Recife e da Secretaria da Mulher do Recife. Ele está organizado em oito blocos temáticos:
- vitimização e subnotificação de crimes como furtos, roubos, agressões e discriminação, com a identificação de onde cada caso ocorreu;
- sensação de segurança no bairro, em casa e nos deslocamentos;
- medidas de proteção adotadas pelos moradores;
- avaliação da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Guarda Civil Municipal do Recife;
- infraestrutura urbana e melhorias desejadas no bairro, como iluminação, mobilidade e espaços públicos;
- um bloco específico sobre violência contra as mulheres, que aborda violência doméstica e sexual, conhecimento da Lei Maria da Penha e da rede municipal de proteção, como a Rede Clarice Lispector;
- perfil socioeconômico, que permite analisar os resultados por gênero, raça/cor, idade, deficiência e território.
O BID e o investimento nas Comunidades de Interesse Social
A pesquisa se soma à atuação do BID nas CIS do Recife, onde o Banco apoia, em parceria com a Prefeitura, um conjunto de investimentos em melhoria habitacional, urbanização, redução de riscos e inclusão social. Essa agenda é transversal e envolve diversas áreas da gestão municipal. Entre elas estão as secretarias de Habitação, de Projetos Especiais, da Mulher, de Saúde e de Segurança Cidadã, além da Secretaria Executiva de Defesa Civil (Sedec). Elas atuam no reassentamento de famílias de áreas de risco, no enfrentamento de deslizamentos e alagamentos, no empreendedorismo e na liderança comunitária das mulheres, no acesso a serviços de saúde e nas ações de cidadania e prevenção da violência desenvolvidas na rede Compaz. Ao ouvir diretamente os moradores, a pesquisa vai gerar importantes informações e análises para essas áreas. Poderão ser consideradas as diferenças entre territórios, as necessidades de cada comunidade e os efeitos das intervenções na sensação de segurança e na vida cotidiana das famílias.
Evidências para políticas públicas
A iniciativa reforça a parceria entre o BID e a Prefeitura do Recife para qualificar as políticas de segurança cidadã e de prevenção da violência com base em evidências. Os resultados vão compor uma linha de base inédita sobre as condições de segurança nas CIS, capaz de orientar decisões de gestão, priorizar investimentos nos territórios e permitir acompanhar, ao longo do tempo, os efeitos das intervenções públicas na vida dos moradores.
A expectativa é que os primeiros resultados sejam apresentados à Prefeitura e ao BID no início de 2027, e o relatório final, no primeiro trimestre do ano.