O Instituto Cidade Segura lança amanhã, dia 11 de agosto, a primeira Revisão Sistemática de Policiamento já feita no Brasil, reunindo o que a ciência já descobriu sobre os programas realizados pelas e para as polícias brasileiras. O lançamento acontece durante o segundo dia do 3º Encontro de Segurança Pública Baseada em Evidências (SPBE) 2026, promovido de forma online e gratuita pelo Instituto Cidade Segura, das 9h às 12h.
O Encontro, que já teve seu primeiro dia dedicado à violência contra as mulheres, chega à sua etapa final com o tema Estratégias de Policiamento Baseadas em Evidências. A programação de amanhã reúne uma nova conferência do professor Lawrence W. Sherman, presidente do Cambridge Centre for Evidence-Based Policing e professor emérito da Universidade de Maryland (EUA), um dos pesquisadores responsáveis pelos experimentos pioneiros que deram origem ao policiamento baseado em evidências há cerca de 50 anos. Sua palestra, “O que aprendemos em 50 anos de policiamento baseado em evidências”, contará com tradução simultânea.
Em seguida, Alberto Kopittke, diretor-executivo do Instituto Cidade Segura e um dos autores do estudo, conduz o lançamento da revisão sistemática ao lado do Delegado Antônio Padilha, secretário-executivo do Programa RS Seguro, e do Delegado Mário Souza, que apresenta a estratégia de Dissuasão Focada. A manhã ainda contará com a participação da Dra. Fernanda Bassani, psicóloga policial da PC-RS e doutora em Psicologia Social e Institucional pela UFRGS, que aborda as evidências sobre saúde mental dos policiais. O dia se encerra com o lançamento da plataforma Segurança & Evidências, voltada à formação continuada de profissionais de segurança pública, prevenção da violência e sistema de justiça.
Primeira revisão do tipo no país
O relatório “Polícia que Funciona: o que a ciência já descobriu sobre os programas policiais no Brasil e como usar esse conhecimento para reduzir a violência” é assinado por Alberto Kopittke, Marcos Rolim, Bernardo Everling Ribas e Thiago Medeiros Magnus. A pesquisa rastreou 7.395 estudos produzidos no Brasil e, após uma triagem rigorosa seguindo os padrões da Campbell Collaboration e o checklist PRISMA, selecionou 74 avaliações de impacto de alta qualidade metodológica, que mediram o efeito de 24 tipos de programas policiais sobre indicadores como mortes violentas, violência contra a mulher, crimes patrimoniais, uso da força e saúde mental de policiais.
Para Alberto Kopittke, “o Brasil já dispõe de um conjunto robusto de evidências nacionais, produzidas por milhares de policiais em programas reais e por cientistas brasileiros, que mostram que é possível reduzir a violência. O desafio agora é usar esse conhecimento de forma sistemática e continuar produzindo novas evidências”.
Entre os principais achados, o relatório aponta que as Ações Territoriais Integradas em Comunidades Vulneráveis como nas UPPs, Fica Vivo! e Territórios da Paz, a Gestão por Resultados e a Dissuasão Focada apresentam as evidências mais consistentes de redução de mortes violentas, com quedas de até 50% em alguns casos. As câmeras corporais aparecem como estratégia efetiva tanto para reduzir a letalidade e o uso da força pela polícia quanto para aumentar o registro de casos de violência contra as mulheres, enquanto as Delegacias da Mulher (DEAMs) mostram-se eficazes na redução da violência letal contra mulheres jovens.
Já entre os programas que não funcionam ou apresentam risco de piora estão as greves policiais, associadas a aumentos de até 182% nas mortes violentas, a Intervenção Federal no Rio de Janeiro, sem impacto identificado sobre mortes e roubos, e o PROERD, maior programa de prevenção às drogas do país, que não reduziu o uso de substâncias entre estudantes e ainda indicou risco de aumento no consumo de álcool.
O estudo reforça ainda a escassez de avaliações de impacto sobre dois temas urgentes como a violência contra a mulher e saúde mental dos policiais e recomenda que governos, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas, dirigentes das instituições policiais, academias de polícia e centros de pesquisa atuem de forma coordenada para consolidar uma cultura de policiamento baseado em evidências no país.
O lançamento faz parte do 3º Encontro de Segurança Pública Baseada em Evidências, que já reúne mais de 2.400 inscritos de todo o Brasil.
As inscrições para participar gratuitamente do encontro seguem abertas em: https://lp.segurancaeevidencias.com.br/encontro-spbe-2026
Em breve a 1ª Revisão Sistemática de Policiamento do Brasil estará disponível de fomra gratuita clicando aqui.